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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mitologia das Paisagens: Entre o Dia e a Noite

E aqui está mais uma postagem da série 'Mitologia das Paisagens', cujo tema será a transição entre o dia e a noite: a aurora e o crepúsculo. Ela envolverá os temas de Belas Paisagens 5 e 15, o pôr e o nascer do sol. Povos diferentes possuíam visões diferentes da transição entre o dia e a noite, veja abaixo:
- Os egípcios veneravam intensamente o sol, que para eles era a divindade Rá, um deus de corpo humano e cabeça de falcão, com o disco solar sobre ela. Rá percorria os céus durante o dia, espalhando sua luz, e o mundo inferior durante a noite, fazendo com que a escuridão caísse sobre a terra, iluminada apenas pela luz das estrelas e de Khonsu, deus da lua. Em sua jornada, Rá assume outras duas formas: Khnum é a sua forma ao anoitecer, em que ele se torna um homem com cabeça de carneiro, que se prepara para entrar no mundo inferior; Khepri é sua forma ao amanhecer, quando ele se torna um homem com cabeça de escaravelho, que empurra o sol, rolando-o do mundo inferior para o céu.
- Na mitologia nórdica, Sól era a deusa do sol e Máni era o deus da lua. Eles percorriam constantemente os céus para fugir de dois lobos gigantescos. Enquanto o lobo Skoll perseguia Sól durante o dia, Hati perseguia Máni durante a noite. As crianças vikings tinham o costume de bater panelas e objetos de metal e fazer bastante barulho para assustar Skoll e Hati, para que eles não alcançassem o sol e a lua. Porém, de acordo com os nórdicos, no Ragnarök (apocalipse nórdico), os dois lobos conseguirão devorar Sól e Máni, pondo escuridão na Terra. Porém, antes de ser morta, Sól terá uma filha, que a substituirá após a grande batalha do apocalipse.
- Os sumérios veneravam o deus Utu como a personificação do sol, além de deus da justiça e juiz dos mortos. Ele era representado como um homem com um capacete com chifres de carneiro e uma espada serrilhada na mão. Todo dia, Utu surgia de uma montanha ao leste do mundo, na forma da aurora, e percorria os céus em sua carruagem ou barco, para então desaparecer numa montanha a oeste do mundo, na forma do crepúsculo. À noite, ele julgava as almas dos mortos no mundo inferior, até a hora em que ele subia novamente aos céus por uma montanha. Enquanto Utu estava no mundo inferior, seu pai, Nanna, deus da lua, vagava pelos céus.














segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os Deuses Gregos: No Início de Tudo

A mitologia grega compreende inúmeros deuses. Já falei em postagens anteriores da série sobre várias divindades, mas falarei, desta vez, de algumas das mais importantes, embora não tão presentes nos mitos: os deuses primordiais. Nesta postagem eu falarei sobre onze dos primeiros deuses de todos.



Caos- O primeiro deus de todos. É dele que descendem todas as divindades gregas. Ele costuma ser representado como uma força sem forma. Simboliza a desordem que havia antes da criação. Seu nome significa "separar", pois ele se fragmentou e formou seus cinco filhos: Gaia, Urano, Tártaro, Nix e Érebos. Quando isso aconteceu, foi posta a ordem no caos primordial, que se desfez e originou o universo.












Gaia- Essa deusa é o próprio planeta Terra. Ela está em tudo no nosso planeta: nos campos, nas montanhas, nos vales, nas pedras, nas árvores, nos vulcões... Ela teve vários filhos. De sua união com Urano, surgiram os Titãs, os Ciclopes (gigantes de um olho só) e os Hecatônquiros (gigantes com cem braços); com seu irmão Tártaro, teve os gigantes, além de Tífon e Equidna, os pais de praticamente todos os monstros; com Pontos - filho que ela gerou sozinha - ela teve os deuses Fórcis (dos perigos do mar), Ceto (dos monstros marinhos), Nereu (protetor do Mar Egeu), Taumante (pai de Íris) e Euríbia (esposa do titã Crios). Ela criou sozinha, além de Pontos, os Óreas, deuses das montanhas.










Urano- Segundo algumas versões, ele é irmão de Gaia. Em outras, assim como Pontos, ele foi criado espontaneamente pela deusa, com o objetivo de se reproduzir. Ele teve vários filhos com a deusa da Terra, porém os odiava. Ele aprisionou seus filhos mais velhos, os Ciclopes e Hecatônquiros, no Tártaro, a parte mais profunda do mundo dos mortos. Quando teve os Titãs, ele impediu que seus filhos saíssem do útero da mãe, bloqueando a saída. Furiosa, Gaia criou dentro de seu ventre uma foice, que foi entregue ao caçula dos titãs, Cronos. O titã convocou seus irmãos Jápeto, Hiperion, Céos e Crios para segurar e imobilizar seu pai. Enquanto isso, Cronos pegou a foice e castrou seu pai. Urrando de dor, Urano se afastou, indo para os confins do universo, onde está até hoje. Cronos atirou os testículos do pai ao mar. Eles se desmancharam e formaram uma espuma, da qual nasceu Afrodite e as ninfas Melíades. Do sangue de Urano, nasceram as Erínias, três divindades que possuíam a função de castigar os maus.



Tártaro- Era o senhor das profundezas. Enquanto Gaia era a terra e Urano, o céu, Tártaro era a personificação do mundo inferior, do abismo onde as mais cruéis criaturas eram atiradas. Quando os titãs foram derrotados pelos deuses olímpicos, Gaia se uniu a Tártaro e, juntos, eles criaram uma das mais terríveis criaturas de todas: Tífon, que nasceu para destruir os olímpicos e vingar a morte dos tão amados filhos de Gaia. Tífon era um monstro gigantesco com forma humanóide e asas negras gigantescas. De suas costas saíam cem cabeças de dragão com olhos de fogo. Juntamente com sua mulher Equidna, Tífon gerou a maioria do monstros. Quando a besta chegou no Monte Olimpo, todos os deuses fugiram, menos Zeus e Atena. No fim, Zeus derrotou o monstro. Furiosos com mais uma derrota, Gaia e Tártaro geraram mais monstros: os Gigantes. Esses seres monstruosos possuíam a mesma função de Tífon: matar os deuses do Olimpo e eram extremamente poderosos. Apenas um deus e um mortal unidos seriam capazes de matá-los. Cada gigante nasceu para matar um deus. Após uma dura batalha, os deuses do olimpo, com a ajuda de heróis mortais, finalmente mataram os gigantes e triunfaram.



Nix- A deusa da noite. Era a mais bela dos filhos de Caos. Ela se uniu com seu irmão Érebo, originando Hemera e Éter. Mas a maioria de seus filhos foi criada sem a união com nenhuma divindade. Entre eles estão Hipnos (o sono), Tânatos (a morte), Nêmesis (o equilíbrio e o castigo divino), Moros (o destino), Éris (a discórdia),  Geras (a velhice), Limos (a fome), Ftono (a inveja), Lissa (a loucura) e Caronte (barqueiro que conduzia as almas ao reino dos mortos). Nix era uma deusa misteriosa e muito poderosa, era respeitada tanto por mortais quanto por deuses. Os gregos tinham medo de pronunciar o nome da deusa e, por isso, a mencionavam com outras palavras, como "mãe do bom conselho".



Érebos- É a personificação das trevas e da escuridão. É marido de Nix, a noite. Seus reinados ficam acima do céu, onde a noite é eterna e a escuridão não tem fim. Ele era muito temido e conhecido por sua crueldade. Segundo uma lenda, os titãs, após serem derrotados e atirados no Tártaro, suplicaram pela ajuda de Érebos, que desceu ao mundo inferior para libertá-los. Porém, Zeus e Hades estavam lá, esperando por ele, e o pegaram de surpresa, atirando-o nas profundas águas do Aqueronte, um dos cinco rios do mundo inferior.













Hemera- É a deusa do dia, filha de Nix e de Érebos. Ela habita, junto com sua mãe, um palácio no extremo ocidente do universo. Embora morem no mesmo local, as duas nunca estão juntas. Enquanto Hemera voa pelo universo, espalhando sua luz, sua mãe Nix fica dentro do palácio, aguardando a chegada da filha. Quando a deusa do dia está retornando, a deusa da noite sai do palácio e percorre o mundo, até voltar para o palácio e permitir que sua filha parta novamente em sua eterna jornada. Hemera era casada com seu irmão, Éter, e juntos tiveram a deusa Tálassa.



Éter- A personificação do ar. Representa o ar elevado, puro e brilhante que os deuses respiram, contrapondo-se com o ar obscuro respirado pelos mortais.  Também é conhecido como o Céu Superior, o céu que está acima de Urano e representa a mais pura energia de todas. Enquanto Hemera seria o oposto de sua mãe, Éter seria o oposto de seu pai, Érebos, a personificação da mais obscura energia de todas. Ele se uniu com sua irmã, Hemera, e teve Tálassa, a deusa que representa o aspecto feminino do mar.













Pontos- Foi o primeiro deus do mar de todos, sendo que Pontos não apenas é deus do mar, mas é o próprio mar. Ele foi criado por Gaia assim que Urano foi castrado, para que a deusa da terra tivesse um novo marido. Juntos, eles geraram as divindades Fórcis, Ceto, Nereu, Taumante e Euríbia. Após, Gaia se tornou esposa de seu irmão, Tártaro, e Pontos se uniu a Tálassa, com quem teve os Telquines, a deusa-ninfa Hália e o deus Egeon.














Tálassa- Filha de Hemera e Éter, era esposa de Pontos. Também representa o mar, mas enquanto Pontos personifica todos os mares, Tálassa está mais relacionada ao Mar Mediterrâneo. Com seu esposo, ela teve os Telquines - criaturas com corpo humanoide, nadadeiras e cabeça de cachorro -, a deusa-ninfa Hália - que se uniu a Poseidon e teve seis filhos e uma filha - e o deus gigante Egeon - personificação do mar Egeu. Foram nas águas de Tálassa em que os testículos de Urano caíram e formaram Afrodite.
















Moiras- São três divindades que definem o destino de todas as criaturas, sejam deuses ou mortais. Alguns dizem que elas são filhas de Nix, outros dizem que são filhas de Moros, portanto sua origem é incerta. Elas são poderosíssimas, suas escolhas não podem ser contestadas nem por Zeus, o rei dos deuses. As três Moiras eram Cloto, cujo nome significar "fiar", é ela quem tece o Fio da Vida, que representa a vida de cada criatura, assim que ela tece um fio, alguma criatura nasce; Láquesis, cujo nome significa "sortear", é ela que mede o Fio da Vida, definindo quanto tempo alguém viverá, também é ela que definia os acontecimentos da vida do indivíduo; Átropos, cujo nome significa "afastar", era quem cortava o Fio da Vida, causando a morte do indivíduo. As Moiras criaram e educaram as deusas da justiça Têmis e Nêmesis. Antigamente eram representadas de forma assustadora, com garras afiadas e compridas e dentes pontudos, mas atualmente costumam receber uma aparência graciosa em suas representações.

sábado, 9 de novembro de 2013

Os Deuses Gregos: A Fúria dos Titãs

Filhos de Gaia, a terra, e Urano, o céu, os titãs foram os senhores dos deuses na mitologia grega durante um bom tempo, mas foram derrotados pelos deuses olímpicos, que tomaram o poder. Haviam vários titãs, porém mostrarei nesta postagem os 12 mais antigos, os filhos de Gaia e Urano.





Cronos- O senhor do tempo. Embora fosse o mais novo dos 12 titãs, ele era o mais poderoso. Quando Gaia e Urano tiveram os titãs, Urano não queria se separar de sua esposa, o que impedia os deuses de saírem de dentro do ventre da mãe. Para que seus filhos se libertassem, Gaia criou dentro de seu corpo uma foice e a entregou a Cronos, ordenando que ele castrasse o pai. Ele obedeceu. Urano, não suportando mais a dor, se separou da terra e foi para os confins do universo, onde está até hoje. Sem Urano, Cronos se tornou o rei supremo do universo. Ele se casou com sua irmã, Reia, com quem teve seis filhos: Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Deméter e Héstia. Com medo que seus filhos o destronassem, Cronos engolia todos eles. Porém, assim que teve o último filho, Zeus, Reia enganou o marido. Ela enviou o pequeno até a ilha grega de Creta, onde ele seria cuidado pelas ninfas, e entregou uma pedra enrolada em panos, parecendo um bebê, a Cronos, que acreditou estar devorando seu filho. Quando cresceu, Zeus se vingou do pai: ele o fez vomitar todos os seus irmãos e o tirou do trono. Cronos, furioso, juntou os titãs e iniciou uma guerra contra os deuses olímpicos: a Guerra dos Titãs. No fim, os olímpicos triunfaram e os titãs foram atirados ao Tártaro, ao parte mais profunda do mundo inferior.



Reia- Deusa da fertilidade, é muitas vezes relacionada a Cibele, sendo que alguns consideram as duas deusas a mesma pessoa. Era casada com Cronos, com quem teve seis filhos. Ela sofria muito ao ver suas crianças serem devoradas pelo pai. Então, assim que teve seu sexto filho, conseguiu o deixar a salvo. Foi esse ato heroico da deusa que, além de salvar Zeus, garantiu a liberdade de seus outros filhos, já que o caçula libertou seus irmãos da barriga do pai. Ela tinha uma relação pacífica com os deuses olímpicos e, assim que a Guerra dos Titãs ocorreu, ela se refugiou nas montanhas, passando a conviver com a natureza. Era relacionada tanto à fertilidade da terra quanto à das mulheres.















Oceano- De acordo com os gregos antigos, cada rio era um deus. Oceano era o mais velho dos titãs e pai de todos os rios. Ele era um rio gigantesco que circundava a terra. Oceano era muitas vezes confundido com o deus primordial Pontos, seu tio. Porém Pontos está mais relacionado aos aspectos primitivos do mar. Oceano se casou com sua irmã Tétis, com quem teve vários filhos. Entre eles as Oceânides (ninfas do mar), Anfitrite (a esposa de Poseidon), os rios e a maioria dos seres marinhos. O titã era muitas vezes representado com chifres, garras de caranguejo ou barbas de serpentes. Oceano não tinha uma relação muito boa com Cronos: ele e sua esposa se recusaram a apoiá-lo na castração de Urano ou a participar da Guerra dos Titãs, portanto foram poupados pelos deuses.



Tétis- Assim como seu irmão e marido, Oceano, Tétis personifica as águas, porém em seu sentido de líquido vital, que garante a sobrevivência das espécies. Ela vagava pelo mar, sentada numa concha puxada por cavalos brancos, como se fosse uma carruagem. Tétis ajudou a cuidar de Hera. E, quando Tétis se desentendeu com seu marido, Hera reconciliou os dois, num gesto de gratidão. A titânide teve uma neta com o mesmo nome. Esta, por sua vez, teve um filho chamado Aquiles, que foi um dos mais poderosos semideuses. A ninfa Tétis banhou seu filho nas águas do Rio Estige, que corre no inferno. Os lugares onde a água do rio toca se tornam invulneráveis. Mas a ninfa esqueceu de molhar seu calcanhar, o qual se tornou o ponto fraco do herói. Aquiles era imbatível na luta e combateu ao lado dos gregos na Guerra de Tróia. Porém Páris, o príncipe de Tróia, atingiu uma flecha no calcanhar de Aquiles, pondo um fim na vida do guerreiro.






Têmis- Era a deusa da justiça, dos julgamentos e protetora dos oprimidos. Ela é o símbolo da justiça, sendo representada com uma venda nos olhos, uma balança numa mão e uma espada na outra. Têmis não viveu junto com os outros titãs, pois foi entregue por Gaia para viver com Nêmesis, filha de Nix, a noite. As duas foram cuidadas pelas Moiras, divindades que controlam o tempo de vida das criaturas. As Moiras forneceram uma ótima educação para as deusas, que se tornaram as deusas da justiça. Enquanto Têmis representava as leis, Nêmesis punia aqueles que a desrespeitavam. Ambas eram jovens e muito belas. Têmis atraiu a atenção de Zeus, e foi sua segunda esposa. Eles tiveram as Horas, nove deusas que controlam os ciclos naturais.









Jápeto- Um poderoso titã, relacionado principalmente à morte violenta. Já que apoiou Cronos na castração de Urano, foi presenteado com o domínio das terras do oeste do mundo. Ele teve com Clímene - uma das filhas de Oceano e Tétis - quatro filhos: Atlas, Prometeu, Epimeteu e Menoécio. Seu filho Prometeu foi o criador dos seres humanos, feitos a partir do barro. Para presentear sua criação, ele roubou fogo da forja de Hefesto e o entregou à humanidade. Furioso com o furto, Zeus acorrentou Prometeu num penhasco e, todo dia, ele mandava uma águia gigantesca comer um pedaço do fígado de Prometeu. À noite, o fígado se regenerava, para a águia pudesse continuar sua tortura no dia seguinte. Porém Herácles (ou Hércules) - um grande heróis grego filho de Zeus - salvou Prometeu. Epimeteu foi o criador dos animais e também recebeu um castigo. Zeus lhe enviou uma bela mulher, Pandora, com quem se casou. Pandora possuía uma caixa e Epimeteu recebera ordens de jamais deixá-la abrir a caixa. Todos os dias, Pandora atormentava o marido, implorando que a permitisse abrir a caixa. Certa vez, Pandora desobedeceu o marido e abriu a caixa. Dentro dela estavam todos os males do mundo, que foram libertos. O único que continuou na caixa foi a esperança. Atlas foi o rei de Atlantis, o reino que afundou no mar como castigo dos deuses, pois seus habitantes se consideravam superiores a eles. Atlas também foi um dos titãs que lutou com maior ferocidade na Guerra dos Titãs. Zeus reservou um castigo especial para ele: segurar o céu em suas costas pelo resto da eternidade.




Mnemosine- Era a representação da memória, que se opunha ao esquecimento, representado por Lete, um rio que corria no mundo inferior cujas águas eram capazes de apagar todas as lembranças de quem entrasse em contato com elas. As almas que reencarnariam eram lá mergulhadas, para que se esquecessem de sua antiga vida. Mnemosine teve com Zeus nove filhas: as Musas, divindades relacionadas às artes. Elas eram Calíope, musa da poesia heroica; Erato, musa da poesia romântica;  Polímnia, musa da poesia lírica; Clio, musa da história;  Euterpe, musa da música; Terpsícore, musa da dança; Melpômene, musa da tragédia; Tália, musa da comédia, e Urânia, musa da astronomia.











Teia- Era a personificação da luz e mãe dos corpos celestes. Teve com seu irmão Hipérion três filhos: Hélios, o sol; Selene, a lua, e Éos, a aurora. Pouco se sabe sobre essa titânidade.



Hipérion- Era o pai de todos os astros na mitologia grega. Assim como sua irmã e esposa, Teia, ele personificava a luz e era chamado de 'Aquele que tudo vê'. Era um titã de grande velocidade, portanto apenas animais velozes, como cavalos, era sacrificados ao titã. Já que apoiou Cronos na castração de Urano, o senhor dos titãs o presenteou com o domínio das terras do leste do mundo. Ele foi relacionado muitas vezes com o deus persa do sol Mitra.












Febe- Era a deusa das profecias. Assim como as deusas Selene, Hécate e Ártemis, Febe era relacionada à lua, especialmente quando está cheia. Possuía o misterioso dom de prever o futuro e era casada com seu irmão Céos, com quem teve Astéria e Leto. O nome de Febe significa "brilhante".



















Céos-  Era o titã da inteligência. Por ter apoiado a castração de Urano, se tornou o senhor das terras do norte do mundo. Teve com sua irmã, Febe, duas filhas: Leto era a deusa do anoitecer e mãe de Apolo e Ártemis; Astéria era a deusa das estrelas e mãe de Hécate. Não se sabe muita coisa sobre Céos.



















Crio- Era a personificação do frio. Como presente pelo apoio na castração de Urano, se tornou o senhor das terras do sul do mundo. Hábil guerreiro, ele era casado com Euríbia, uma filha de Gaia e Pontos. Juntos, eles tiveram três filhos: Perses, Palas e Astreu. Perses possuía o corpo coberto de rochas e personificava a destruição, era o pai de Hécate, embora, segundo algumas versões, seu pai era Hélios ao invés de Crio. Palas se casou com Estige, a filha mais velha de Oceano, que era um rio que corria no inferno. Na Guerra dos Titãs, enquanto Palas defendia os titãs, Estige se juntou aos deuses. Enquanto a deusa-rio saiu vitoriosa, seu marido foi aprisionado no tártaro. Astreu teve com Éos, a aurora, os quatro ventos e as estrelas do céu.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Os Deuses Gregos: Enquanto Isso, Fora do Olimpo...

Na última postagem de 'Os Deuses Gregos', eu falei sobre os 12 olímpicos, além de outros 2 deuses que estão, de certa forma, relacionados à montanha divina. Nesta postagem, trarei mais 14 deuses que, mesmo não habitando o Olimpo, eram muito respeitados.




Hélios- Era o deus do sol, fato que facilitou que o confundissem muitas vezes com Apolo. Durante o dia, ele percorria os céus numa carruagem dourada puxada por quatro cavalos: Pírois, Eoo, Éton e Flégon; em direção ao oeste do mundo. Assim que completava sua volta, ele percorria o oceano em direção ao leste durante a noite, para recomeçar tudo de novo no dia seguinte. Ele era filho dos titãs Hipérion e Teia e irmão de Éos e Selene. Hélios tinha em sua cabeça uma auréola dourada, a qual era conhecida como auréola solar. Um de seus filhos, Faetonte, pediu a ele permissão para dirigir sua carruagem e o deus acabou aceitando. Faetonte cavalgava nos céus, porém acabou perdendo o controle dos cavalos e caiu, morrendo ao cair no rio Erídano (atualmente, o rio Pó).
 



Selene- Irmã de Hélios, era a personificação da lua. Se seu irmão era muitas vezes relacionado a Apolo, Selene era relacionada à Ártemis e Hécate, sendo que ambas eram deusas lunares. A deusa era jovem e bela, encantando tanto mortais quanto deuses. Enquanto Hélios voltava para o leste do mundo pelo oceano, Selene percorria os céus com sua carruagem prateada, inundando a terra com a luz do luar. Uma lenda conta que Selene se apaixonou por Endímion, um caçador. A deusa lunar convenceu Zeus a permitir que o caçador realizasse um desejo. Com o objetivo de se manter sempre jovem, Endímion pediu que mergulhasse num sono eterno. O mortal teve seu pedido atendido e adormeceu na encosta de uma montanha. Desde então, assim que terminava de vagar pelo céu, Selene sempre descia até essa montanha para admirar seu amante.







Éos- Essa deusa representava a alvorada e o pôr do sol. Sua função era abrir os portões do céu para Hélios no amanhecer e no entardecer. Cavalgava pelos céus numa carruagem púrpura puxada por dois cavalos, emanando as belas luzes do nascer e do pôr do sol. Assim como sua irmã, Éos era muito bela e conquistou vários corações. Ela chegou a ter casos com o deus Ares, enciumando Afrodite, a qual lançou uma maldição que fez com que Éos se apaixonasse apenas por mortais. Uma de suas paixões mortais foi com Titono, irmão do rei de Troia. Éos pediu que Zeus desse a seu amante a imortalidade, porém esqueceu de pedir a juventude eterna. Então Titono foi envelhecendo e, embora imortal, foi ficando cada vez mais fraco, até que Éos pediu para Zeus acabar com o sofrimento dele transformando-o numa cigarra. Outra paixão da deusa foi com Céfalo, um semideus mortal casado com a princesa Prócris. Éos tenta seduzi-lo porém ele continua leal á esposa, até  que a deusa desiste e o deixa em paz. Porém, quando Céfalo foi caçar, Prócris ficou com medo que a deusa voltasse e resolveu segui-lo. O semideus pensa que é um animal que o está seguindo e dispara uma flecha em direção à própria esposa. Ao perceber que tinha matado a mulher, ele se desespera e se atira no mar, morrendo afogado. Zeus se comove com a história e transforma Céfalo numa constelação.



Hécate- Era a deusa da magia, relacionada à noite e à lua. Era uma divindade obscura que, segundo lendas, vagava com hordas de fantasmas, assombrando vilarejos e aldeias. Ela era muitas vezes representada carregando uma tocha (representando o luar), uma serpente (um símbolo da imortalidade) e uma faca (relacionada à obstretícia). Era associada também às encruzilhadas, ao cipreste, aos lobos e aos cães. Algumas versões dizem que Hécate possuía três corpos ou três cabeças de cachorro. Na lua nova, sacrifícios eram feitos em honra à deusa. Hécate uniu-se a Eetes, rei da Cólquida (atual Geórgia) e filho de Hélios. Segundo algumas versões, eles tiveram como filha Circe, que se tornou uma feiticeira, famosa por transformar homens em animais. Mas, segundo algumas versões, Circe era filha de Hélios, não neta. Hécate era filha dos titãs Perses e Astéria. A protetora dos bruxos e magos participou de forma secundária em vários acontecimentos, como quando ajudou Deméter a procurar sua filha, Perséfone; ou ao lutar ao lado de Zeus na guerra contra os titãs.



- Deus dos bosques e dos campos e protetor dos pastores. Da cintura para baixo, ele era bode; da cintura para cima para, ele era um homem com chifres de cabra. Ele era muito rápido e forte e habitava as florestas, se divertindo ao assustar os viajantes, gerando pânico (uma palavra que se originou do nome do deus). Pã tinha um voraz apetite sexual e teve entre suas amantes a própria deusa Selene. Mas sua história de amor mais famosa é com a ninfa Siringe. O deus se apaixonou loucamente por ela, porém ela desprezou seu amor. Vendo que não a conseguiria conquistar, Pã decidiu raptá-la e tê-la à força como amante. a ninfa correu o máximo que pode, mas o deus era rápido e estava quase a alcançando. Até que Siringe chegou até um rio, onde implorou à deusa que o protegia que a salvasse. A deusa obedeceu e transformou a ninfa em juncos. Assim que o vento passou pelos juncos, produziu um som doce como a voz da ninfa. Encantado, o deus pegou alguns juncos e os transformou num instrumento musical: a Flauta de Pã, que passou a ser o instrumento favorito dos pastores gregos.



Cibele- Era a deusa da natureza e estava relacionada à fecundidade. Também chamada de 'Deusa Mãe', Cibele era a protetora de todos os animais e plantas. Convivia muito com os animais selvagens e possuía uma carruagem puxada por dois leões. Ela tinha também uma chave que abria as Portas da Terra, onde ficavam guardadas as plantas que crescem na primavera. Inicialmente, Cibele era uma divindade oriental, a qual foi adaptada pelos greco-romanos. Pouco se sabe sobre a história da deusa, porém há algumas versões que dizem que ela era uma mortal, mãe do deus Fauno, uma divindade metade bode e metade homem com o dom da profecia. Certo dia, ela teria bebido muito vinho e acabou se embriagando. Ao ver o estado da mãe, Fauno teria se irritado e a matado. Porém a deusa teria retornado à vida na forma de uma deusa.






Íris- Enquanto Hermes trocava comunicações entre os deuses, Íris tinha a função de levar mensagens divinas à humanidade. Ela era filha do titã Taumante com a ninfa do oceano Electra. De acordo com certas versões, seu marido era Éolo, deus dos ventos; de acordo com outras, era Zéfiro, o vento oeste. Ela era também a personificação do Arco Íris, o qual ganhou esse nome em homenagem à deusa. A deusa era admirada tanto pela sua beleza quanto pela sua bondade. Ela também prestava vários serviços à Hera, como preparar seus banhos. Servir a alguém era o sentido de sua vida. A deusa assumia diferentes formas ao transmitir suas mensagens, mas a mais comum era de uma bela jovem alada.



Éolo- Era o senhor de todos os ventos e possuía o poder de controlá-los. Seu lar ficava em Eólia, uma ilha flutuante com muralhas de bronze indestrutíveis. Tinha seis filhos e seis filhas, que eram casados entre si. Um mito famoso de Éolo se passa na Odisseia, um famoso poema grego escrito por Homero, que narra as aventuras do herói mitológico Odisseu (também chamado  de Ulisses) em sua travessia pelo oceano para voltar a sua casa após a Guerra de Troia. Ulisses foi um convidado de honra do deus e ficou um mês hospedado em sua ilha. Assim que Ulisses estava de partida, Éolo o presenteou com uma sacola que continha todos os ventos do mundo. O deus dos ventos soltou apenas Zéfiro, para que ele guiasse o herói em sua jornada. Porém, enquanto Odisseu dormia, seus homens viram a sacola e acreditaram que ela estava repleta de ouro. Eles a abriram e libertaram todos os ventos, causando uma tempestade que os levou de volta ao ponto de partida e provocando a ira de Éolo, que jurou jamais ajudar mortal algum.



Eros- Deus do amor e da paixão, é mais conhecido pelo seu nome romano, Cupido. Ele possuis um arco com flechas mágicas, as com ponta de ouro faziam com que quem fosse atingido se apaixonasse, as com ponta de chumbo impediam uma paixão. Em algumas versões, Eros é considerado um deus primordial, nascido do vazio que existia antes do nosso mundo. Mas, na maioria das versões, ele era filho de Afrodite, sendo que seu pai varia muito de acordo com a versão. Certo mito conta que Afrodite estava conversando com Têmis, deusa das leis, que estava preocupada porque seu filho nunca crescia. Têmis lhe explicou que Eros estava muito solitário e só cresceria se tivesse um irmão. E então, Anteros, deus das ordens e do divórcio, nasceu e fez com que seu irmão crescesse. Uma das mais famosas histórias sobre Eros é a que narra sua paixão por Psique, a mais bela das três filhas de um rei. O deus do amor, encantado com a beleza da mortal, a raptou e a levou para um palácio de ouro e mármore. Toda noite, Eros visitava a amante. Ela, porém, não sabia quem era aquele que a visitava, pois Eros a fez jurar que jamais veria seu rosto. As irmãs de Psique, com inveja da moça, a convenceram de que seu marido era um monstro. Para tirar a limpo isso, enquanto seu misterioso amante, Psique se aproximou dele com uma lamparina e iluminou seu rosto. Para a surpresa da jovem, ele era o próprio deus do amor. Ela se emocionou e tremeu, o que fez com a lamparina derramasse óleo no peito do deus, que acordou e, furioso com a traição, voou para longe. A princesa passa, então a vagar pelo mundo, sofrendo solitariamente até morrer. Arrependido, Eros implora a Zeus que a ajude. O rei dos deuses aceita o pedido e a ressuscita, tornando-a imortal. E então, Eros se casa com a paixão de sua vida.



Nêmesis- A personificação da vingança divina e responsável por castigar os maus, especialmente aqueles que se consideravam acima dos deuses. Ela era filha de Nix, a noite, uma das deusas primordiais. Na mesma época em que Nêmesis nasceu, Gaia, a deusa-terra, teve Têmis. Nêmesis e Têmis foram criadas e educadas juntas pelas Moiras, deusas do destino, se tornando irmãs de criação. Ao crescer, se tornaram as deusas da justiça. Enquanto Têmis representava a ética, Nêmesis era a responsável pelos castigos divinos. A deusa das punições também era chamada de "a inescapável", pois não havia como os maus evitarem seus castigos. Ela possuía a forma de um belo anjo, o que fez com que muitos deuses se apaixonassem por ela, inclusive Zeus. A maior inimiga da deusa era Hibris, a deusa do orgulho excessivo, que incentivava a insolência e a vaidade dos mortais.



Hipnos- Era filho de Nix, a noite. Era o deus do sono, responsável por adormecer as criaturas vivas. Seu irmão gêmeo era Tânatos, o deus da morte. Enquanto Hipnos geralmente aparecia vestindo trajes dourados, Tânatos costumava usar vestes prateadas. O deus do sono habitava uma caverna no extremo oeste do mundo, onde o sol nunca vinha. Quando a noite caia, ele partia para adormecer os mortais acompanhado de seus filhos Morfeu, deus dos sonhos; Ícelo, deus dos pesadelos; Fântaso, criador dos objetos que aparecem nos sonhos, e Fantasia, a deusa dos devaneios. Entre seus símbolos estão a papoula, um galho de árvore gotejando água do Rio Lete (um rio do inferno que causava o esquecimento), um chifre com ópio e uma tocha invertida. A hipnose possui esse nome pois era o estado em que Hipnos deixava aqueles que visitava.



Tânatos- Enquanto Hades reinava sobre os mortos, Tânatos era a personificação da própria morte. Ele era o responsável por buscar as almas dos mortos e levá-las ao mundo inferior. Quando ele buscava um morto, cortava uma mecha de seu cabelo, que seria dedicada a Hades. Uma história famosa que envolve o deus da morte é o mito de Sísifo. Sísifo era um rei muito astuto, filho de Éolo. Para conseguir uma fonte à sua cidade, ele revelou ao deus rio Ásopo que Zeus havia raptado sua filha. Furioso com a revelação, o senhor dos deuses enviou Tânatos para buscar a alma do rei, que enganou o deus e o prendeu. Tânatos foi libertado e a hora de Sísifo finalmente chegou. Ele instruiu a mulher para que não realizasse os ritos funerários, fundamentais na Grécia Antiga, em que uma moeda era posta na língua do morto, para que ele pudesse pagar Caronte, o barqueiro que conduzia os mortos pelo Rio Estige, que separava o mundo dos mortos do nosso. Ao chegar lá, ele não possuía dinheiro. Então Caronte ordenou que ele voltasse ao mundo superior e buscasse a moeda. Mais uma vez, Sisífo enganara a morte. Porém, ao descobrir isso, Zeus enviou diretamente Sisífo ao mundo inferior, onde ele deveria carregar uma enorme pedra até o topo de uma colina. Sempre que a pedra era posta lá, ela rolava, tornando eterno o castigo do astuto rei.



Nike- Quase sempre representada como uma mulher alada segurando uma tocha, Nike (ou Nice) era a deusa da vitória. Possui uma forte relação com Atena, a quem sempre ajudava. Os guerreiros gregos costumavam fazer oferendas à deusa, para garantir seu sucesso nas batalhas. A imagem de Nice aparece sempre nas medalhas dos Jogos Olímpicos de Verão, representando o triunfo dos vencedores. A imagem usada nas medalhas provém da escultura de mármore da deusa feita por Peônio no século V antes de Cristo. Ela era filha de Estige, uma ninfa do oceano. Quando os deuses lutaram contra os titãs, Estige e seus quatro filhos estiveram do lado dos deuses. Os filhos da ninfa ajudaram muitos exércitos, deuses e heróis: Bia dava a força, Kratus dava o poder e Nike dava a vitória. Porém os vencedores deviam saber lidar com o quarto filho: Zelus, o ciúme. A marca norte-americana Nike ganhou esse nome em homenagem à deusa. Inclusive, o símbolo da empresa representa uma das asas de Nice.



Asclépio- Deus da medicina, ele era filho de Apolo com Corônis, uma mortal. Enquanto a donzela estava grávida de Asclépio, ela se apaixonou por outro mortal, cujo nome era Ischys. Furioso, Apolo matou a amante e retirou o bebê de seu útero. Na época, Asclépio era mortal e foi enviado até Quíron, o centauro, que foi o responsável por educá-lo. Seu mestre lhe ensinou a técnica da cura, que foi aperfeiçoada pelo jovem semideus. Com o tempo, Asclépio se tornou capaz até mesmo de trazer os mortos de volta à vida, o que foi causando o despovoamento do mundo inferior. Para evitar que isso acontecesse, Zeus matou o semideus com um raio. Porém, por ter adquirido habilidades tão fascinantes, Asclépio virou um deus e se tornou imortal. Ele era casado com Epione, que se tornou a deusa da anestesia. Juntos, eles tiveram oito filhos: Machaon, deus da cirurgia; Polidalirio, deus da psiquiatria; Telésforo, deus da convalescença; Iaso, deusa da cura; Áceso, deusa dos cuidados e da enfermagem; Aglaea, deusa da boa forma, e Higia, deusa da prevenção da doenças (cujo nome originou o termo higiene). Asclépio pode ter realmente existido, sendo um famoso médico que viveu em torno de 1200 a.C. que era considerado um deus.

sábado, 7 de setembro de 2013

Os Deuses Gregos: Senhores do Olimpo

De acordo com os gregos antigos, o mundo era governado por inúmeros deuses, cada um com suas características e responsável por algo no mundo. Os mais poderosos eram os Deuses do Olimpo, um grupo de 12 divindades que habitava o Monte Olimpo, uma montanha grega que, de acordo com a mitologia, ia até os céus. Veja abaixo a descrição de cada um desses 12 deuses:
 
 
Zeus- O rei dos deuses, senhor supremo do universo e divindade dos relâmpagos e trovões. Era filho de Cronos, deus do tempo, o qual tentou impedir que fosse destronado por um de seus filhos devorando-os. Cronos engoliu Poseidon, Hera, Hades, Deméter e Héstia. No entanto seu sexto filho, Zeus, foi escondido por sua esposa, Reia, na ilha de Creta. Ao invés de entregar o pequeno deus a Cronos, Reia pegou uma pedra, a enrolou em panos e a entregou a Cronos, que acreditou estar engolindo Zeus. O futuro rei dos céus foi cuidado por ninfas e, quando cresceu, enganou Cronos, lhe fazendo tomar uma bebida que o fez vomitar os seis irmão de Zeus. Cronos foi vencido e destronado, sendo substituído por seu caçula, o qual reinou gloriosamente.
  
 
 
 
Poseidon- Quando Cronos foi derrotado, seus três filhos realizaram um sorteio para distribuir o céu, o mar e o mundo dos mortos entre eles. Enquanto Zeus recebeu os céus, se tornando o rei dos deuses; Hades ficou com o submundo e Poseidon com o mar. O novo rei das águas se casou com Anfitrite, com quem teve diversos filhos, como as ninfas do mar (nereidas), o cavalo alado Pégaso e diversos outros. Quase sempre é representado com um tridente, o qual era capaz de causar maremotos e tsunamis. Poseidon era um deus extremamente venerado, visto que os gregos eram ótimos navegadores e sua economia dependia muito do comércio com países além-mar.








 


Hera- Zeus já teve diversas amantes, porém sempre admirou em especial uma deusa: sua irmã Hera. Certo dia, ele resolveu pedi-la em casamento, pedido que Hera logo aceitou. A esposa de Zeus era venerada como deusa do casamento, da família e do parto, além de ser a rainha dos deuses. Porém Hera sempre teve muito ciúmes do marido, o qual continuou tendo vários casos, mesmo depois de casado. Sempre que encontrava uma amante de seu marido, ela a castigava, podendo até causar a sua morte. A deusa do casamento era relacionada com o pavão, ave cuja bela cauda foi criada pela própria Hera, que colocou os olhos de Argos nela. A deusa sempre teve uma grande rivalidade com Afrodite, cuja beleza lhe causava inveja. Sempre que aparecia para os mortais, ela cobria todo seu corpo, deixando apenas os olhos à mostra.
  
 
 
 
Atena- Antes de se casar com Hera, Zeus tinha como mulher a deusa Métis, da astúcia. Porém Zeus ficou sabendo de uma profecia que dizia que, se ele tivesse um filho do sexo masculino com Métis, este o destronaria. O rei dos deuses entrou em pânico quando sua esposa disse que estava grávida. Para evitar que seu filho nascesse, Zeus engoliu Métis, a qual passou a fazer parte da consciência do deus. O filho dos dois passou a se desenvolver dentro do corpo do pai. Certa vez, Zeus acordou com uma dor de cabeça infernal. Não aguentando mais o dar, pediu que seu filho, Hefesto, partisse sua cabeça ao meio com um machado, no objetivo de aliviar a dor. Quando o corte foi realizado, saiu da cabeça do rei dos deuses uma linda jovem com um elmo, uma lança e um escudo. Era Atena, a mais nova filha de Zeus e filha da Sabedoria. A deusa herdou o conhecimento da mãe e sempre foi a filha favorita do deus dos deuses. Ela já disputou com Poseidon o domínio de uma cidade grega: cada um daria um presente aos habitantes da cidade e o que desse o melhor presente seria o novo protetor da cidade. Enquanto Poseidon deu uma fonte. Atena deu uma oliveira. Impressionados com os frutos da árvore, os habitante escolheram Atena como a padroeira da cidade, que recebeu o nome de Atenas. Lá foi construído um de seus templos, o Partenon, que é uma das mais famosas construções gregas.




Apolo- Era o deus da música e das artes, relacionado muitas vezes ao sol e confundido frequentemente com o deus solar Hélios. Matou a terrível Píton, uma serpente que aterrorizava a região de Delfos. Ele lá ergueu o maior oráculo de toda Grécia, um local onde as pessoas iam para fazer perguntas ao deus. Ele dava suas respostas a uma sacerdotisa, que as transmitia àqueles que lhe fizeram a pergunta. As profecias transmitidas geralmente eram de difícil compreensão, portanto os outros sacerdotes ficavam atentos a elas e as interpretavam. O instrumento tocado por Apolo era a lira, que fora criada por seu irmão, Hermes.











Artemis- Irmã gêmea de Apolo e filha de Leto, deusa do anoitecer; era a divindade da caça e estava relacionada à lua. Sua mãe foi perseguida por Hera, a qual mandou a serpente Píton para matá-la. Como Leto sofreu muito para dar à luz ela e seu irmão, Artemis jurou jamais se casar ou ter filhos. Muitos se apaixonaram por sua beleza, porém a deusa caçadora sempre manteve sua palavra. A deusa era quase sempre representada com um arco, sua arma favorita. Andava quase sempre acompanhada por ninfas e por seus fiéis cães de caça. Foi construído em Éfeso, na Turquia, um belíssimo templo em homenagem à Ártemis, o qual era uma das sete maravilhas do mundo antigo.












 
Afrodite- A deusa da beleza e do amor. Apesar da aparência jovem, ela é a mais velha dos 12 deuses: é irmã de Cronos e tia de Zeus. Quando Urano, o céu, se uniu a Gaia, a terra, nasceram 12 deuses chamados titãs. Entre eles estavam Cronos e Reia. Urano, porém, queria impedir o nascimento deles e, por isso, ficava sempre deitado sobre sua mulher. Gaia pediu aos titãs que um deles pegasse uma foice e atacasse Urano, para que eles nascessem. Todos tiveram medo, menos Cronos, o qual pegou a foice que lhe foi dada por sua mãe e cortou as genitálias de Urano. Com muita dor, o deus do céu se afastou da terra e foi para os confins do universo, onde está até hoje. Cronos pegou os testículos do pai, que havia cortado, e os atirou ao mar. Eles se dissolveram e formaram uma espuma, da qual nasceu Afrodite. Inclusive, o nome da deusa significa "nascida da espuma do mar".
 
 
 
 
Ares- O mais sanguinários do deuses, Ares era a divindade da guerra e da carnificina. Era relacionado a abutres, aves que devoravam os cadáveres das batalhas. Quando ia às lutas, o deus era sempre acompanhado de Éris, a deusa da discórdia, além de seus filhos com Afrodite: Fobos (medo) e Deimos (terror). Ares era venerado especialmente na mais bélica cidade grega: Esparta. Os espartanos eram preparados desde pequenos para os campos de batalha: caso alguma criança  nascesse fraca ou com uma deficiência física, ela era morta ou abandonada.  Era filho de Zeus e Hera e tinha como maior inimiga a deusa Atena. Enquanto Ares era um guerreiro inconsequente e agressivo, Atena era justa e uma hábil estrategista militar. Os espartanos eram inimigos jurados dos moradores da cidade de Atenas, protegidos pela deusa da sabedoria.
 
 
 
 
Hefesto- Senhor do fogo e divindade da metalurgia, ele era o ferreiro dos deuses e foi o responsável pela criação de diversos artefatos como o tridente de Poseidon, as sandálias aladas de Hermes, o arco e as flechas de Artemis, a carruagem de Hélios e o trono de Zeus. Ele era filho de Zeus e Hera,  mas, como nasceu coxo, ele foi atirado do monte olimpo por sua mãe. Depois de nove dias caindo, ele chegou até o oceano, onde as ninfas marinhas cuidaram dele. Ele descobriu que possuia um dom com a forja, o qual resolveu utilizar para se vingar de sua mãe. Ele construiu um trono feito de ouro e o enviou até o Monte Olimpo, endereçado para Hera. A deusa, ao sentar-se no trono, caiu na armadilha de seu filho e ficou presa. Hefesto disse que só a libertaria se fosse aceito novamente no Olimpo, proposta que foi aceita por sua mãe. Ao retornar, ele foi presenteado por seu pai com o casamento com a mais bela das deusas, Afrodite, a quem deu vários presentes, como um belíssimo cinto de ouro encrustado com pedras preciosas.
 
 
 
 
Deméter- A deusa da agricultura, era relacionada à natureza e à terra. Era a mãe de deuses como Perséfone, a rainha dos mortos; Pluto, deus da riqueza, e Árion, o cavalo mais rápido de todos, que possuia o dom da fala e da profecia. Deméter teve com seu irmão Poseidon a deusa Despina, que foi abandonada logo após o nascimento enquanto a mãe procurava por Perséfone. Despina foi encontrada pelo deus Anitos, que escolheu o seu nome. Despina era a deusa das geadas e sempre teve muita raiva dos pais pelo seu abandono, sentimento que demonstrava congelando plantações e lagos. Deméter possuia a Cornucópia, um chifre oco que servia como fonte infinita de frutos. Por ser a deusa da agricultura, Deméter é muitas vezes representada segurando uma foice e espigas de trigo.
 
 
 
 
Hermes- Era o mensageiro dos deuses e deus dos ladrões. Voa extremamente rápido com suas sandália voadoras, presente de Hefesto. Ele era filho de Zeus e Maia, deusa que era relacionada à energia vital e, como Deméter,  à fertilidade. Maia foi a única amante de Zeus que recebeu a simpatia de Hera. Hermes era muito inteligente desde pequeno: quando ainda era bebê, ele fugiu de seu berço e roubou as vacas de seu irmão, Apolo. O deus das artes ficou furioso com o furto e foi acertar as contas com seu irmão. Ao encontrá-lo, viu que o bebê estava tocando um instrumento feito com tripas amarradas como cordas num casco de tartaruga. Aquela era a mais nova invenção de Hermes: a lira. Apolo disse que perdoaria o irmão e o deixaria ficar com suas vacas se ele lhe desse o instrumento. A criança aceitou a proposta e entregou o instrumento ao irmão, que passou a tocá-lo frequentemente. Devido à sua astúcia e habilidade, Hermes foi aceito entre os 12 deuses do olimpo e se tornou muito admirado.
 
 
 
 
Dioniso- Era o deus do vinho e das festas. Filho de Zeus com a mortal Sêmele, Dioniso e sua mãe sofreram muito com Hera. Enquanto Sêmele estava grávida, Zeus disse que ela poderia pedir o que quisesse. Hera enganou a humana, lhe dizendo para pedir que Zeus aparecesse a ela em sua forma verdadeira. Sêmele caiu direitinho e, sem poder negar, Zeus obedeceu. Ao ver Zeus em sua real forma, ela foi fulminada, pois os humanos não resistem à luz divina. Zeus pegou Dioniso, prematuro, e o costurou em sua coxa, para que terminasse seu desenvolvimento. Assim que nasceu, para que escapasse da perseguição de Hera, Zeus o mandou para diversos lugares em diversas formas, até que ele foi transformado em cabrito e confiado a ninfas e um sátiro. Ele cresceu sendo cuidado por eles, até que conheceu a videira. Dioniso descobriu que era possível criar uma deliciosa bebida com o fruto dessa árvore e resolvei viajar pelo mundo, ensinando a humanidade a preparar o vinho. Numa de suas viagens, ele encontrou piratas que o assaltaram. Para se defender, ele os transformou em botos. Ao verem aquilo, os deuses se impressionaram com o seu poder e o aceitaram entre os 12 grandes deuses.
 
 
 
 
Acima estão os 12 deuses do olimpo. Porém ainda há dois que, apesar de não serem considerados olímpicos clássicos, merecem uma atenção especial:
 
 
 
Hades- Rei do submundo e senhor de todos os mortos, era um dos deuses mais temidos e poderosos. Possuia um elmo que, quando ele o usava, se tornava invisível. Hades governava o inferno, o mundo dos mortos, que era dividido em três partes: os Campos Elísios, local de belos bosques e campos, uma espécie de paraíso para onde iam heróis e pessoas famosas; os Campos das Lágrimas, para onde iam a maior parte das pessoas comuns, que não haviam tido uma vida grandiosa; e o Tártaro, a parte mais profunda do inferno, local de dor e de tortura, era para onde iam os que ofendiam os deuses. No limite do reino dos mortos ficava o Rio Aqueronte. Quando alguém morria, a família colocava uma moeda debaixo da língua do cadáver. Assim que a alma chegava ao inferno, ela devia pagar a moeda ao barqueiro Caronte, para que ele a conduzisse ao outro lado do rio. Hades só não considerado um dos deuses olímpicos porque não habita o Monte Olimpo, apesar dele ser um dos 12 segundo algumas fontes.
 
 
 
 
Héstia- Deusa do lar e da vida doméstica. Ela cuidava, antigamente, do fogo divino dos deuses e era uma deusa olímpica. Porém, quando Dioniso se tornou um deus do olimpo, o número dos grandes deuses se tornou 13 e quebrou a harmonia do número 12. Para evitar o novo número, Héstia decidiu ceder seu posto de deusa olímpica. Porém o fato de abdicar o posto não diminuiu sua adoração. Ela é relacionada ao fogo da lareira, símbolo de conforto e comodidade. Ao invés de possuir grandiosos templos, Héstia tem sua adoração em pequenos santuários caseiros, onde as famílias fazem oferendas e pedem a proteção do lar. Nos sacrifícios aos deuses, a primeira oferta era dedicada à deusa do lar. Héstia, assim como Artemis e Atena, jurou virgindade, embora deuses como Poseidon e Apolo fossem apaixonados por ela.